segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

Prezado Eduardo - Cap. 5 - GOOD BYE COLUMBUS

GOOD BYE COLUMBUS          

Como todo leonino eu não poderia deixar esquecer meu aniversário e desta forma, o dia quatro de agosto foi festejado no Restaurante Cahiqui,longe dos amigos e da família. O Cahique é um dos restaurantes mais interessantes  que conheci. Ele tem a forma de uma enorme canoa ancorada na zona leste de Columbus. O seu interior é constituído de vários ambientes formando cada um deles aprazíveis recantos  tropicais com direito  a areia de praia, palmeiras e vegetação rasteira O teto é uma imensa abóboda de um azul profundo que volta e meia escurece ao mesmo tempo que sopra um vento forte transmitindo uma nítida impressão de uma verdadeira tempestade tropical. Um barato!
Os drinks e pratos são servidos em cascas de coco oriundas da Polinésia por belíssimas nativas e ao som de Hula hula.

Um fato interessante aconteceu comigo naquele restaurante: Quando solicitei um drink antes do jantar o bartender olhou para mim, um tanto desconfiado,e perguntou com uma cara de ingenuidade: "Você tem mais de dezoito anos, não?" Bem, como relatei antes, naquele dia eu estava completando vinte e oito anos, ainda sem qualquer fio de cabelo branco, uma gravata fininha e seis quilos a mais. certamente eu não aparentava a idade real mas,de modo algum tinha a aparência de dezoito.

Columbus continuava uma cidade sem graça mas, as constantes viagens de campo amenizavam a situação. Numa determinada semana Plauto viajou com Fred e eu com Peter.  Foi a primeira vez que Plauto e eu não viajamos juntos. De certa forma foi gratificante pois durante o período fiquei absolutamente sem falar Português. Creio que o fato de não falar a minha primeira língua me fez ficar completamente desvinculado de minhas origens (sic) e tive uma notável sensação de liberdade. Peter foi um extraordinário companheiro de viagem e enquanto dirigia a "station wagon" falávamos alguns detalhes de nossas vidas. Ele tinha a minha idade, já era casado e era pai de uma menininha. Sua cidade de orígem era Boston e  isso era fácil de detectar pois tinha um certo sotaque britânico. havia conhecido sua esposa num bar do "Holliday Inn". Como  estavam casados ha pouco tempo, ainda construíam uma casa sendo que Mary o ajudava a cobrir as despesas trabalhando como recepcionista num restaurante parte do dia. Durante a viagem ele ligou para ela duas ou três  vezes. Estando eu, naquela época, frequentando uma Igreja Protestante com certa regularidade, lembro que fiquei meio sem jeito quando Peter me disse que era agnóstico. Soou um pouco estranho ouvir isso de um americano.....
Os planos de Peter eram de permanecer ainda por algum tempo no USNS em Columbus muto embora já fora convidado a assumir outros postos tais como  a chefia adjunta do escritório no estado de Washington.
Peter e eu nos tornamos amigos mas, lamentavelmente, é uma das pessoas que dificilmente vou tornar a ver pois perdemos totalmente o contato. Entretanto, como o mundo dá muitas voltas, talvez algum dia venhamos a coletar amostras de fundo de rios....
Quando regressamo a Columbus Plauto já chegara e contou-me que a semana  na qual ele não teve a oportunidade de falar Português foi uma ótima experiência para ele pois o fato veio a comprovar que seu Inglês era suficientemente bom


Por falar em Plauto agora estou me lembrando de um fato curioso acontecido com ele na última semana que estivemos em Columbus. Num determinado  fim de tarde fomos jantar  no  Restaurante Circles que ficava  a aproximadamente trezentos metros de distância do Hotel Olentangy Inn. Após,voltamos despreocupadamente e com certeza tínhamos excedido  na cerveja como que já comemorando, por antecipação, nossa partida de Columbus. Em vez de ficarmos,  como de hábito,  algum tempo no hall do hotel resolvemos subir e assistir um pouco de televisão. Dei tchau a Plauto e entrei no meu quarto. Creio que assistí a TV  não mais de dez minutos e caí num sono profundo. Acordei às sete horas da manhã do dia seguinte com alguém batendo na porta. Levantei-me completamente bem disposto e pensei: "Quem será? Não pode ser o Plauto pois normalmente eu o acordo...
Quando abri a porta vi que Plauto estava com uma cara de ter dormido muito pouco e ... realmente tinha, Quando entrou no meu quarto foi logo me contando algo como se fosse uma confissão. Contou-me que na noite anterior em vez de assistir televisão resolveu ler um pouco."Quase não li pois estava com muito sono e logo adormeci."Quando já estava em sono profundo, alguém bateu insistentemente na porta. Pensando que era eu levantou-se cambaleando de sono e vestindo somente uma cueca tipo samba-canção. Quando abriu a porta e deu decara com uma bela loira. Instintivamente deu um salto para o lado da porta e ficou somente com o rosto aparecendo. Ela o olhou com um jeito muito sério e disse: "Será que o senhor pode ajudar-me a abrir a porta do meu quarto? Eu não estou conseguindo....." Ainda perplexo disse para ela aguardar um momento enquanto colocava uma calça e uma camisa. Quando voltou a atende-la, já não havia mais ninguém no corredor. Ele concluiu que que sozinha ou com a ajuda de outra pessoa, havia finalmente conseguido abrir a porta do quarto dela. Quando ele estava novamente pegando no sono ouviu novamente alguém batendo na porta. Dessa vez pensou que era eu mas, quando abriu a porta ali estava novamente a loira! Só que agora ela estava vestida com uma camisola extremamente transparente. Antes que Plauto dissesse qualquer coisa,ela  empurrou suavemente a porta e na medida em que foi penetrando no quarto dele disse"Eu vim agradecer. Já consegui abrir minha porta" Ele ainda estava boquiaberto quando ela deitou-na na cama e disse "screw me" ou seja fóde-me!..
Ainda meio desconfiado chegou mais perto da cama. Deitou-se sobre ela e segundo ele a terra tremeu!!! A mulher era um fogo só e tinha uma pele lisinha e bronzeada como se houvesse chegado da praia. Foi uma trepada atrás da outra entremeadas de cochilos. Fizeram de tudo.  Saiu do quarto mais ou menos quinze para às sete,vestindo evidentemente só a camisola, em direção ao quarto dela. Antes de sair, disse a ele: " Obrigado, tive uma noite de Messalina!"


Finalmente chegou o dia de deixarmos Columbus. Foi na tarde de um sábado cinzento, tão cinzento como no de chegada. Voamos pela Ozark para Champaing, Illlinois para mais uma etapa do treinamento.







Próximo capítulo: O AMIGO QUE CHEGA ( a partir de 9 de janeiro)

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