quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

Prezado Eduardo - Cap. 3 - NO RITMO AMERICANO

NO RITMO AMERICANO

Mergulhamos fundo no trabalho desde a primeira semana. Os americanos trabalhavam das 7:30 da manhã até às 4:15 da tarde com intervalo d e 1 hora para o almoço. Tomávamos nosso "breakfast" e almoçávamos na cafeteria do próprio Edifício Federal,onde estavam centralizados todos os serviços da União. No jantar variávamos entre vários restaurantes mas, o preferido era a Blueboard Cafeteria" onde a comida era excelente e os preços razoáveis. Como bolsistas recebíamos US$713.00 por mês, valor superior ao salário que tínhamos no Brasil, que cobria perfeitamente nossas despesas básicas e ainda sobrava.
O trabalho desenvolvia-se tanto no escritório como no campo e começamos, deste modo, a  absorver uma grande quantidade de conhecimentos teóricos e tecnologia de excelência  em campo.Devido a boa qualidade dos trabalhos Plauto e eu escrevíamos seguidamente relatos para nossos colegas brasileiros e sobre nossa intenção de colocar em prática no Brasil aquilo que aprendíamos. Lembro que escrevi para você com muito entusiasmo e aguardando sua breve chegada para juntar-se a nós nos trabalhos que desenvolvíamos. Naquela época Edú eu ainda não havia me dado conta que o seu tipo de interesse no trabalho  era voltado para o lado teórico enquanto que para mim estava ótima a dupla teórico e prático. Para você não seria dessa forma mas, quando me dei conta disso já era tarde, Mais uma vez, desculpe-me.

As pessoas com quem , aos poucos, fomos fomos formando amizade mostravam-se curiosas e perplexas sobre o Brasil. Os personagens brasileiros mais conhecidos na época eram Pelé e Sergio Mendes. Perguntavam sobre as "selvas brasileiras", a estrada Transamazônica, extinção da classe média, Rio de Janeiro, guerrilha,torturas.... Explicávamos também que não tínhamos feras soltas nas ruas, que Pelé era um excelente jogador de futebol, que Sergio Mendes era um grande músico, que realmente a Transamazônica, que o rio de Janeiro era lindo, etc, etc, etc.....

Viajamos praticamente por todo o estado do Kentucky em serviços de campo. Numa dessas viagens estávamos, num domingo à tarde, num hotel em Paducah, quando assistimos pela televisão o gol de Carlos Alberto que deu ao Brasil mais um título de "Campeão do Mundo em Futebol".Que sensação estranha! Nenhum foguetório,nem um som de batucada....Plauto, entusiasmado comentou: "Somos tricampeões, a Taça definitivamente é nossa!" Bem, uma semana depois começavam a chegar cartas e recortes de jornais sobre a grande conquista: " o País pára","a Taça é nossa", "feriado nacional", "pra frente Brasil","ninguém segura esse País".... O ôba ôba parecia total! Os americanos não entendiam bem tal entusiasmo, principalmente um inusitado "feriado nacional" para comemorar um campeonato. De nossa parte desejávamos colaborar para continuar a tocar o País para frente,

Que ilusão!

Mal podíamos imaginar o que iríamos encontrar no futuro próximo.... mais precisamente após quinze de março de 1974: politicagem, corrupção aparecendo, destruição de sonhos e bem.....Não estavam soltas as bruxas  mas sim o Bruxo!
Após o estágio no Kentucky rumamos para Columbus, Ohio onde estava prevista uma nova etapa de estudos: monitoramento da qualidade das águas e sedimentometria. Não foi um período bom. Não falo em relação ao  trabalho que na realidade era interessantíssimo mas a cidade não tinha, no nosso ponto de vista, um aspecto acolhedor. Tinha um tom cinza mas, diferente daquele que Woody Allen mostra em "Manhatan" e do cinza de Buenos Aires que é lindo! tudo muito diferente da agradável e acolhedora Louisville. Por isso resolvemos não ficar hospedados no hotel a nós destinado, no centro da cidade. preferímos um hotel mais acolhedor e próximo ao escritório do USNS. Foi nesse período que tive alguns problemas de saúde, com relação a uma gastrite,  felizmente,  superados com com uma consulta médica e um medicamento de última geração.
Foi numa daquelas noites passadas no hotel "Olentangy Inn" que sonhei que vinha por uma estrada numa "pick up" do trabalho e  de repente ao cruzar uma estrada de ferro fomos abalroados por um trem, sendo que nosso motorista não tinha resistido à gravidade dos ferimentos. Coincidência ou não,um mês depois quando já estávamos em Champaing, Illinois, recebi uma carta do Dr Tertuliano onde ele relatava que nosso motorista Pedro havia falecido. De morte natural. Mas justamente no dia que tive o sonho. Pura coincidência sim, diria o Dr Felício Santiago.

Como no Kentucky, também viajamos por todo o Estado de Ohio, onde desenvolvi-se um intenso monitoramento da qualidade das águas. Assim, estivemos em Toledo,Athens,Ashtabula,Independence,Defiance,Evansport, Bowling Green e Cleveland..

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