PREZADO EDUARDO (Uma história de ficção publicada em capítulos)
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Cap. 18
Perguntas e Respostas
Foi quando nos encontramos nos Estados Unidos em 1970 que tomei conhecimento do primeiro número da Revista "Pessoas e Fatos" cujo lançamento estava ocorrendo simultaneamente no Brasil. Desde aquela época venho cultivando o hábito de ler aquele periódico mensal. Outro dia, folheando o exemplar de julho fiquei um tanto surpreso com uma reportagem sobre o Geraldo Orlando Velloso, nosso antigo colega da GEOHIDRO. Pois fique você sabendo que o Geraldo acabou concretizando um velho sonho. Naturalmente você deve lembrar das conversas que mantínhamos no "Roda d'Água" na Praia Vermelha, próximo ao nosso escritório central. Geraldo sempre dizia que um dia iria largar a engenharia e iria dedicar-se ao rádio, talvez sua primeira vocação. E não é que o Universo conspirou a seu favor? Em 1979, talvez para ficar bem afastado do Bruxo e sua roda resolveu aceitar o convite de seu cunhado para dirigir uma Rede de Emissoras de Frequência Modulada. O esquema montado por ele dele deu tão certo que hoje ele é considerado um "expert" no assunto! Vocação é vocação, embora tenhamos a possibilidade de seguir varias que se apresentem se dedicarmos esforço suficiente para tal. Ele, hoje, é figura nacionalmente conhecida e comanda uma rede de centenas de afiliadas em todo o Brasil com sede em São Paulo e apresentando a mesma programação ao mesmo tempo, via satélite. Resolvi então, transcrever para você uma parte da entrevista que a repórter Maura Merlin fez com ele:
Maura: Geraldo, conte como você ingressou no campo da radiodifusão, uma vez que sua formação universitária nada ter a ver com rádio, afinal você é um dos melhores especialistas do Brasil em Recurso Hídricos...
Geraldo:Apesar de minha formação profissional ser de outro ramo, desde jovem fui sempre muito interessado por rádio mas também pelos recursos naturais:nosso solo, nossa água,nossas florestas.... Resolvi então, primeiramente dedicar-me aos nossos recursos hídricos mas, sempre pensando que um dia eu iria dedicar pelo menos parte do meu tempo ao rádio. E por ocasião dos "tempos difíceis" em meados da década passada, não perdi a oportunidade que se apresentou com o convite do meu cunhado Ciro da Veiga.
Maura: Você de certa forma revolucionou o rádio em Frequência Modulada pois abandonou os velhos esquemas de "música de elevador" e "música moderna barulhenta", partindo inclusive para apresentações de "música erudita" numa boa parte da programação. Não foi um risco muito grande, comercialmente falando?
Geraldo: É, de certa forma foi sim. Eu mudei os velhos esquemas partindo para "Programação em Blocos". Hoje, nós temos em toda a rede blocos de música brasileira tradicional, música estrangeira suave (os famosos "Standard"), música estrangeira jovem,música brasileira jovem, e música erudita de compositores estrangeiros e nacionais. Claro que comercialmente foi um risco mas, temos um bom número de nichos em blocos estanques e o esquema adotado deu certo pois dirigimos os comerciais para determinados seguimentos da população de acordo com o "bloco" que está sendo transmitido.
Maura: como está sendo a acolhida dos programas de música erudita?
Geraldo: De acordo com pesquisas que temos realizado, a acolhida é excelente! É um erro pensar-se que o brasileiro não gosta de música erudita. Gosta sim e passará a gostar cada vez mais, tenho certeza. Você deve ter notado que durante as emissões de programas com música erudita, procuramos transmitir também e de uma maneira muito didática, informações sobre a história da obra e seu compositor.
Maura: Você ainda mantem algum vínculo com seu antigo campo de atividades, ou seja, os recursos naturais?
Geraldo: Profissionalmente não e afetivamente sim. Acontece que quando eu trabalhava em recursos naturais sempre achava um tempo de desenvolver rádio fosse através de radioescuta, faixa do cidadão, e acompanhamento das concessões e permissões outorgadas pelo governo naquela área. Hoje acontece justamente ao contrário: Faço rádio, mas acompanho regularmente quase tudo o que ocorre na área dos recursos naturais.
Maura: Cite-nos alum exemplo sobre algo novo que tenha ocorrido na área dos recursos naturais, alem do que é publicado na mídia, claro.
Geraldo: Na parte do aproveitamento dos recursos hídricos, por exemplo, houve um progresso notável. Hoje já estão formados vários "Comitês de Bacia" que congregam Governo,usuários,organizações não governamentais etc...ou seja, todos os que tem interesse direto ou indireto no recurso hídrico da bacia. O objetivo final é realizar estudos,ouvir a comunidade,a área ambiental...... Isso tudo no sentido de se obter um aproveitamento múltiplo da água e minimizar os impactos ambientais.
Maura: Você quer dizer que agora se considera o aproveitamento de um rio em todos os seus aspectos: geração hidrelétrica. navegação,abastecimento público, diluição de efluentes tratados, pesca, composição paisagística, relocação das populações ribeirinhas, lazer.... e tudo ambientalmente sustentável?
Geraldo:Exatamente. Você foi direto aos pontos nevrálgicos! Há algum tempo atrás, não só o Brasil mas em vários outros Países cada usuário da água considerava o rio visando quase que unicamente seus próprios objetivos. Assim, setor elétrico via o rio como fonte geradora de energia, o setor de saneamento sob o ângulo de fonte para água potável e lançamento de efluentes,o setor da agricultura sob o ângulo da irrigação e assim por diante. Hoje, quando se projeta uma obra, alem de considerar o uso integrado da mesma, obrigatoriamente a licença ambiental é fundamental.
Próximo Capítulo: AQUÁRIO

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